O trecho desse blog é hilário....
Para ilustrar o emprego dessas pérolas vertidas do português, criei algumas situações hipotéticas, mas bem reais: uma paquera no meio de uma balada, uma fofoca sobre a vida dos outros e uma ida ao restaurante.Mais uma vez, você não precisa falar francês. Mas como a lição é mais avançada, é necessário que você entenda um pouco do que estão falando. Lembre-se que a sua comunicação será feita apenas por provérbios, o que lhe dará um status de semi-intelectual, muito valorizado na França. Por isso é fundamental decorar bem cada uma das frases a seguir.É importante frisar que os exemplos aqui descritos podem - e devem - ser utilizados em outras oportunidades. Experimente e descubra novas maneiras de empregá-los. Cantando a gatinhaEssa lição pode ser empregada em uma festa, uma boate, um bar ou em qualquer outro agito. Para valorizar mais o seu ar intelectual, tenha sempre um copo de vinho na mão. E solte as frases quase ao pé do ouvido do seu alvo.- Bon soir.- Bon soir.Quebrado o gelo inicial, chega a hora da verdade. De dizer aquela frase mágica, capaz de mover o mundo. De encantá-la com todo o seu conhecimento do francês e do universo feminino.- Tu sais que chaque pot à son couvercle? (Você sabe que cada panela tem sua tampa?)- Pardon? - Je te dire que tu es la belle fille dont maman a toujours revée. (Tô te dizendo que você é a nora que mamãe pediu a Deus.)- Você acha que essa conversa mole me convence?- Bah oui... Qui ne pleure pas, ne tete pas. (Acho. Quem não chora não mama.)Agora tem duas possibilidades. A primeira, mais provável, é ela não gostar muito.- Que grosseria!- Je le savais. Le pain du pauvre tombe toujours du côté du beurre... (Eu sabia. Pão de pobre cai sempre com a manteiga para baixo...) A outra é ela rir e cair no seu papo-aranha. - Gostei do seu bom humor. Vamos tomar alguma coisa em outro lugar?E você solta o grand finale. Depois, contenha-se para não abrir mais a boca e não estragar tudo.- Oui! C'est l'heure de la panthère boire de l'eau. (Vamos! Chegou a hora de a onça beber água).Falando da vida dos outrosNão é só no Brasil que a fofoca é um esporte nacional. Falar da vida dos outros é uma atividade praticada nos quatro cantos do mundo. E nada como uma boa festa para botar esse velho hábito em dia. Pode até ser a mesma citada acima, na qual você tentou azarar - sem sucesso - a menina. O procedimento consiste em chegar de mansinho em uma roda onde haja conhecidos. É batata: logo alguém vai contar um episódio de corno.- Eu não acredito o Jacques traía a Florence há tanto tempo.- Moi non plus. Mais trahir et gratter ce n'est que commencer. (Eu também não. Mas trair e coçar é só começar).- Todo mundo sabia, menos a pobre coitada.- C'est comme ça... le cocu est toujours le dernier à savoir. (É assim... o corno é sempre o último a saber).- Ele falou que está pensando em separação.- Mieux vaut être seul que mal accompagné. (Antes só do que mal acompanhado).Agora cuidado! As pessoas vão começar a prestar atenção no que você está falando. É a hora de preparar a saída estratégica, antes que você tenha que entrar em conversas mais profundas. - Ela ainda vai se arrepender disso.- Oui. Un jour de la chasse, l'autre du chasseur. (Vai sim. Um dia é da caça, o outro é do caçador).Certamente alguém vai se dirigir a você. - E você, o que acha disso tudo?- Moi? - Sim, você.Pausa dramática. Respire fundo.- Qui se marie ne pense pas. Et qui pense ne se marie pas. (Quem casa não pensa. E quem pensa não casa.)Hora da retirada.No restauranteEm Paris, no verão, conseguir uma mesa na varanda pode ser uma tarefa difícil. Mas você vê uma vazia, que pega exatamente aquele solzinho bom. Nada mais natural do que sentar-se ali. Depois de 5 minutos, acomodado, pedido já feito, descobre que a mesa estava ocupada. Quem estava ali antes tinha apenas ido ao banheiro.- Monsieur, eu estava aí.- C'est dommage mais qui va à la chasse perd sa place. (É uma pena, mas quem vai ao ar perde o lugar).- Eu gostaria de pegar meu lugar de volta.- Il faut mieux sortir le petit cheval de la pluie. (É melhor tirar o cavalinho da chuva).- Eu só tinha ido ao banheiro.- Je vois... Mais l'excuse d'handicapés est une béquille. (Sei... Mas desculpa de aleijado é muleta).- Olha, estou ficando nervoso!Aí você faz cara de impaciente e bate na mesa.- Moi aussi. Le cobra va fumer! (Eu também. A cobra vai fumar!)Reze para que nessa hora a "turma do deixa disso" resolva agir para impedir que a confusão aumente. Ou então para que o antigo ocupante desista de vez da mesa.- Chega. Vou procurar outro lugar.- Oui. Chaque singe sur sa branche. (Isso. Cada macaco no seu galho)Quando o sujeito estiver saindo, solte a última.- Attention! Pour mourrir il suffit de vivre. (Cuidado! Para morrer basta estar vivo).Pronto! O lugar é seu e o cara não vai mais te incomodar.Viu como é fácil? Com um pouco de treino você vai soltar provérbios e pensamentos com a maior naturalidade do mundo, causando espanto em todos ao redor.Colaboraram: Henriette Gallo e Constance Boutrolle
quarta-feira, 10 de junho de 2009
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